sexta-feira, 1 de março de 2013

O Teu Sorriso - Pablo Neruda

Olha a cara de sapeca

Tira-me o pão, se quiseres,   
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.                                                         
                                                                    

Thiago em seu primeiro filme 3D

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha                                    
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Seria imprudente de minha parte não afirmar que, aprendi a entender o mundo que me cerca, quando imerso em um universo de voltos que é a deficiência visual, houve um sorriso que me fez enxergar o quanto somos pequenos perto da inexorável perfeição divina.
Thiago possui uma capacidade de contrariar as convenções que achamos saber sobre os downs através de um lindo sorriso.
Paulo de Tarso


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